domingo, 18 de agosto de 2013

Até que o computador nos separe

Até que o computador nos separe
Quem poderia imaginar que um dia estaríamos pensando sobre o computador como fonte de crise e discórdia dentro do casamento? Parece estranho, mas é verdade! Você sabia que no ano de 2009 nós, internautas brasileiros, passamos cerca de 23 horas e 47 minutos por mês, utilizando a internet? Para entendermos este fenômeno que tem afetado nossas relações familiares, precisamos considerar contextos históricos importantes.
Observando a cultura judaico-cristã, detectamos que o núcleo familiar foi preservado ao longo do tempo como fonte de entretenimento, e algumas questões implícitas neste modelo são pertinentes. Reunir a família como forma de perpetuação da tradição oral, ou contar as histórias do povo hebreu, por exemplo, permitiu um comprometimento relevante com o núcleo familiar, percebido até os dias de hoje. É difícil conceber em nosso pós-moderno modo de enxergar a vida que, não existia televisão, rádio, internet e muito menos energia elétrica, ao contrário disso, eram utilizadas candeias, e ao redor desta “precária” iluminação é que tudo acontecia, impossibilitando que os membros da família ficassem longe uns dos outros.
Entretanto, mesmo muito bem servidos de todo aporte tecnológico, e até mesmo autores de grande parte de modernas tecnologias digitais, Israel hoje é um dos maiores exportadores de tecnologia em jogos de raciocínio, por ter preservado ao longo da história jogos em família.
Hoje Israel exporta, inclusive para o cenário educacional brasileiro, este tipo de tecnologia, metodologias que utilizam-se de jogos de tabuleiro e desafios, entre outros, que estimulam e estruturam o pensamento lógico de seus alunos.
Feuerstein, teórico judeu que ampara estas metodologias como fonte estruturadora do raciocínio e Vygostsky, filósofo de relevância na área educacional, concordam que o ato de brincar é fundamental para a formação do indivíduo. Estes eventos, quando vistos sob uma perspectiva cristã, ganham intensidade por terem sido grande fonte agregadora do núcleo familiar.
Mas as relações mudam, e com a Revolução Industrial no século XXIII, o surgimento da energia elétrica e a sua utilização para a economia, contribuiu para mudanças significativas nos relacionamentos, pois a partir de então há o aumento da jornada de trabalho, surgindo também novas perspectivas de consumo e tempo.
Podemos então entender que depois do advento da energia elétrica, as relações humanas, e principalmente as familiares mudam muito; o tempo e as oportunidades regem as relações familiares. Estávamos prestes a uma grande mudança; surge na década de 30 o aparelho televisor, a TV nossa de cada dia, consolidando-se massivamente por volta dos anos 50.
Quanto a TV ganha massificação, as relações familiares novamente passam por uma transformação. É ao redor da TV, e não mais da candeia, que as pessoas diariamente se sentam, e juntas passam a assistir programas; estão próximos, mas a interação começa a desaparecer.
As próprias crianças com o tempo passam a mudar sua maneira de agir, já que começam a assistir programas infantis, e passam a deixar de brincar, sozinhas ou coletivamente, para assistir TV. A televisão passa a ser a maior fonte de entretenimento das pessoas. Historicamente, passamos de 7 ou 8 canais de TV para ter acesso a, no mínimo, mais de 50 canais através de planos básicos de TV a cabo.
Porém o mundo continua mudando e sua relações também. Marshall McLuhan filósofo dos anos 60, dizia que o mundo seria reduzido a uma aldeia global, e que as pessoas passariam a relacionar-se de maneira diferente. Em uma de suas publicações “Os meios de comunicação de massa como extensões do homem” (1964), Lunhan enfatiza que o meio é a mensagem, ou seja, o papel do canal e do código em termos do impacto da comunicação no mundo, consolidando assim o conceito da aldeia global como novo ambiente de uma nova esfera de relações.
Os cidadãos desta aldeia global seriam dotados de um aporte tecnológico significativo, bem como uma visão pluriculturalista; deveriam ser estes indivíduos versáteis linguisticamente, entre outras características – este foi o prenúncio da globalização.
Hoje, desfrutando de uma sociedade globalizada imersos na aldeia global de McLuhan, discernimos dois perfis de indivíduos quanto a capacidade de interação tecnológica; são eles, os nativos digitais, ou seja, indivíduo com menos de 20 anos que cresceram imersos em meio a uma cultura tecnológica enfervescente, e nós outros, cidadãos que estão no estágio imigratório à todo este universo digital.
Os benefícios da rede são notórios – Richard E. Mayer, ícone dos estudos de aprendizado multimídia, descreve em seus trabalhos a relevante economia constatada pelas empresas com o adventos das salas virtuais e o ganho instrucional causado pelo meio digital. Com isto, o ambiente corporativo não mais necessariamente é o local para instruções profissionais, e sim é sutilmente convidado a invadir os lares, o tempo de lazer e o tempo em família. Que fique claro – não sou contra a tecnologia, e desfruto de suas benéfices, mas tenho estudado e observado a falta de maturidade com que lidamos com essa ferramenta.
Há ainda o perigo da pornografia que está ali no seu próprio quarto, ou através da amizades que muitas vezes iniciam-se despretensiosamente, mas acabam por revelar a intenção da perversidade sexual embutida, e com isso as famílias passam por correr riscos Isso pode começar por uma “simples amizade” num site de relacionamento. A pergunta que faça neste momento é – O que leva uma pessoa a buscar amizades na rede? Pasmem, mas a pornografia tem viciado mais do que o crack! Um estudo do Senado Americano do Comitê de Ciência e Tecnologia, segundo Mary Anne Layden, co-diretora do programa de Psicopatologia e Traumas Sexuais da Universidade da Pensilvânia, diz que a pornografia é o maior perigo para a saúde psicológica das pessoas.
Segundo estudos feitos em de 2002, nesta época existiam cerca de 400.000 sites pornográficos e cerca de 70 milhões de pessoas acessavam pelo menos um site pornográfico por semana. Estudos realizados pelo professor Richard Drake, da Universidade Brigham Young, nos EUA, nos relatam que a pornografia pode causar danos com efeitos similares ao da cocaína, produzido dependência e distúrbios mentais.
Estudos realizados nos EUA nos alertam que cerca de 40% dos cristãos são afetados pela pornografia, ou tem acesso a ela. A revista americana Leadership fez uma pesquisa com pastores americanos, e constatou que aqueles que gastavam mais tempo na internet eram provavelmente os que acessariam sites pornograficos.
Autor: Nelson Domingues | Site amofamilia.com.br


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