terça-feira, 20 de agosto de 2013

Disfunções sexuais femininas



disfunções sexuais femininas
Autor(a): Waldir Moreno Arévalo
Daremos agora uma visão panorâmica das mais comuns disfunções sexuais femininas, e algumas dicas de como vencê-las. Lembrando que disfunção é a incapaci­dade da prática sexual em todas ou em parte das seguintes fases: desejo, excitação e orgasmo. Qualquer dificuldade em qualquer dessas fases leva a uma inadequação e a uma experiência sexual incompleta. Os primeiros pesquisadores a estudar a fisiologia da sexualidade humana, Kinsey (1948), Master e Jhonson(1960), H. Ellis e Kaplan, observaram e discriminaram essas fases do ato sexual. Res­postas físicas, psíquicas e químicas que ocorrem tanto no homem quanto na mulher, pois os dois foram feitos do mesmo material e pelo mesmo arquiteto. Lembrar que as fases são subsequentes ao continuísmo dos estímulos e carinhos para chegar ao desfecho, que é o orgasmo, que consiste num quadro de contrações e relaxamento dos músculos, com uma sensação intensa de prazer. Alguns autores chegam a comparar a intensidade do orgasmo à morte, mas fiquem tranquilos! Sexo não mata, não tem contra-indicações e nos traz muita vida!
Vaginismo
Aqui talvez tenhamos a maior representação das conseqüências do profano e do sagrado na questão da sexualidade do ser humano. Vaginismo é a contração involuntária da vagina e dos músculos que a envolvem, impossibilitando a penetração e a realização do coito. Pode ser primário ou secundário, podendo ocorrer desejo, excitação, porém impossibilidade da penetração.

Vaginismo Primário é quando a mulher nunca conseguiu permitir (involuntariamente) uma penetração e Secundário quando após um trauma, que pode ser uma agressão física ou psíquica, a mulher deixa de ter a capacidade de relaxar e permitir a penetração.
A minha afirmação no início deste tópico está baseada no fato de que as maiores causas de vaginismo estão relacionadas ou à manipulação na infância, nas agressões ou estupro, que deixam marcas física e emocional, ou às distorções de muitos pais e mães que ensinam insistentemente as meninas (nunca aos meninos) que sexo é uma "coisa suja", "coisa do demônio", "não é para mulheres santas", "moças de família", etc. e com essas afirmações incutidas em suas mentes, as moças vão para o casamento. Na prática do ato sexual elas têm uma contratura vaginal intensa no momento da penetração, conseqüência de todo esse peso que lhe foi imposto.

No consultório me deparo muito com os dois casos, pois ainda temos estatísticas alarmantes quanto ao número de casos de abuso sexual infantil, não só no nosso país, mas em todo mundo, onde cerca de 30% das crianças são vítimas das mais diversas formas de abuso, não só físico, mas através de atitudes mais sutis, improváveis, porém não menos libidinosos e traumáticos. Em casos secundários normalmente a mulher foi vítima de agressão sexual, física ou psíquica. Pode ser por dores geradas por doenças, mas pode ser por palavras ditas, ou alguma situação constrangedora a que foi submetida. (Grande parte dos casos de abuso sexual ou agressão ocorre dentro do seio familiar, o que agrava o trauma.) Como todo o processo sexual é comandado pelo sistema nervoso central, ocorre o bloqueio e a mulher vitimada não consegue permitir a penetração. O tratamento passa pelo exame ginecológico com um profissional experiente, que tenha noção da gravidade do caso e saiba realizar essa consulta com os devidos cuidados para não piorar o quadro, seja no ato do exame, seja na abordagem com a paciente. Tenho relatos de pacientes vagínicas que chegam ao meu consultório que já tinham ouvido de médicos frases como: "deixa de frescura!"; "você não tem nada, não sei por que não consegue ter relação".
O exame físico é importante para se afastar a possibilidade de alterações anatômicas, como cistos ou septos vaginais. Depois investigamos a real causa, e após o diagnóstico passamos ao tratamento, que consiste em processo de dessensibilização, executado pela própria paciente, com ou sem ajuda do parceiro, dependendo do caso. Tal processo ocorre com a introdução de instrumentos apropriados (velas de hegar, pensos ou pessários) ou mesmo a introdução do dedo indicador, relaxamento e posterior introdução dos dois dedos ou velas de maior calibre, até que o cérebro passe a aceitar o coito como coisa normal e agradável, tirando-se a imagem negativa que persistia na memória.
Autor(a): Waldir Moreno Arévalo

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