terça-feira, 20 de agosto de 2013

Falta de Desejo



O desejo na espécie humana, segundo a Profa. Dra Maria do Carmo A. 
Silva é altamente alusivo ao passado de cada um (Disfunções Sexuais, J.F. Minnocci).
 Sabemos que ninguém nasce com bloqueios sexuais, mas que são adquiridos através de experiências vivenciadas. 

As pessoas "aprendem" a inibir seus desejos em situações que percebem contingências negativas e permitem sua emergência em contextos seguros. Emoções positivas acionam o desejo e as negativas o inibe.

Por influência psicossocial, a sexualidade feminina é mais facilmente suprimida. É muito comum uma adaptação ou adequação dos parceiros, principalmente a mu­lher, que por medo de ser deixada ou trocada, ou por insistência do parceiro, realiza o ato sexual como um favor, mas sem prazer algum, sem desejo e nem excitação.

A tensão causada pela cobrança do bom desempe­nho também pode inibir os neurotransmissores do desejo, tornando a prática do sexo cada vez mais desgastante emocionalmente e cada vez menos desejada.

As causas da falta de desejo, normalmente secundárias, podem acontecer abruptamente (traumas ou crises) ou lentamente. A grande maioria dos casais, devido a todos os fatores relacionais negativos, vão se distanciando e diminuindo a busca pelo sexo.

Recentemente, foram comentados casos de casais que mantêm uma vida social intensa, além do envolvimento também intenso com o trabalho. Esses casais vão apresentando um distanciamento progressivo. Aparentemente não apresentam conflitos, apenas não se lembram mais a última vez que fizeram amor. Lembre-se que sexo é como musculação, responde á medida que é solicitado.

Uma classificação das causas mais comuns da apatia sexual seria a seguinte:
Causas orgânicas: anomalias genéticas, hiperprolactinemia (lembra quando falei da amamentação?), hipotireoidismo ou hipertireoidismo, drogas (tranqüilizantes, alguns antidepressivos, anticonvulsivantes, alguns anti-hipertensivos etc.), doenças degenerativas e crônicas. Gostaria de enfatizar os casos de hipotireoidismo subclínico, estados em que os exames estão normais, porém o resultado está próximo ao limite da referência, e os sintomas característicos estão presentes (cansaço, desânimo, dificuldade de memória, dores musculares, distúrbio de ritmo cardíaco, extra-sístoles, pele seca, hipersonia). Se você tem esses sintomas procure um endocrinologista.

Causas psicossociais: educacional, comportamental, (fatores marcantes negativos, fobias, traumas, inadequação, defesa, fracassos, anorgasmias, estado depressivo).
O tratamento da falta de desejo sempre passa pela entrevista e histórico da paciente e já são propostas algumas atividades e exercícios para despertar o interesse e redescobrir o prazer do corpo. O exercício de foco sensorial faz com que a pessoa resgate o prazer do toque, o conhecimento do seu corpo e de seus órgãos sexuais (visualização da vulva e do intróito vaginal), erotização visual, condicionamento orgásmico e focagem á penetração. Lembrar que o parceiro é parte fundamental no tratamento.

Existem casos extraordinários, como já presenciei em meu consultório, em que o casal estabelece de comum acordo a viver sem sexo. Outros fazem sexo numa frequência muito baixa. Esses casos não podemos considerar como disfuncionais se o casal está adaptado e se relaciona bem.

Nas palestras para casais sempre gosto de lembrar os ouvintes do filme Don Juan de Marco (Cappola, 1995), onde é possível aprender algo sobre sensualidade e a sensibilidade que deve ter o homem para seduzir e despertar o desejo na mulher amada. 
O personagem do ator Johnny Depp é de um esquizofrênico, conquistador, romântico ao extremo. Mas o interessante é observar como ele influencia positivamente o relacionamento de seu psiquiatra (Marlon Brando) com a esposa. O filme consegue mostrar a importância da comunicação e do carinho. 
De como criar momentos especiais dentro da rotina, e da importância de não se esquecer de como se namora. Como o psiquiatra, é preciso ser pró-ativo no relacionamento. Não adianta ficar esperando um milagre. Eu aprendi que Deus só faz o que não podemos fazer. Nas questões do sexo, todo processo é realizado pelo casal. Sem o envolvimento e participação dos dois fica quase impossível a conquista de resultados positivos.
 Autor(a): Pr. Josué Gonçalves

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