terça-feira, 20 de agosto de 2013

Disturbios de excitação

O processo excitatório na mulher é refletido principalmente na produção de lubrificação vaginal e a continuidade das sensações somáticas corporais de prazer e satisfação. 
Portanto quando a mulher perde a capacidade de tal reação fisiológica, ela inibe a continuidade do fenômeno das reações sexuais completas, até o orgasmo.

As causas físicas mais comuns são determinadas pela alteração da produção do hormônio estrogênio, como e­xemplo o período da pré-menopausa e da menopausa, em que o hipoestrogenismo leva a um ressecamento vaginal impossibilitando a continuidade do ato sexual pela mulher ou mesmo apresentando dor no intercurso, inibindo a cascata de fatores de gozo. Em casos extremos, pacientes que são obrigadas a submeterem-se a castração cirúrgica (retirada dos ovários) passam também pelos mesmos sintomas. 

Para restabelecimento da função, a paciente necessita de avaliação ginecológica e uso supervisionado de hormônios, tanto via sistêmica como creme vaginal de estrogênio, obtendo normalmente um excelente resultado.
Oportunamente, gostaria de colocar aqui que, como ginecologista, sou da corrente que defende o uso da terapia hormonal para a mulher na menopausa, pois não é somente a questão sexual que está em jogo, mas todo desempenho e função fisiológica pode melhorar com o uso racional dessas drogas.


Alguns casos de vulvovaginite podem levar a alte­ração da flora vaginal e acarretar dor, irritação e secura e podem agir como fator inibitório da resposta sexual (já relatado no assunto dispaurenia).

FATORES PSICOGÊNICOS
Com certeza aqui se encontra o maior número de queixas e problemas como causa de bloqueio excitatório. Descreveremos a seguir os mais comuns:

Educação Sexual: com raízes repressivas ou religiosas (distorção dos conceitos divinos encontrados na Bíblia). Agem como fatores inibitórios da sexualidade, emergindo a associação de "sexo e pecado", "sexo e proibição" etc..


Sentimento de Culpa: muito relacionado com a causa anterior, traição dos pais, de conceitos, na grande maioria das vezes com o envolvimento preponderante da figura paterna.
Rejeição da Figura Masculina: avaliação distorcida e falta de confiança na figura masculina, da higiene do parceiro, (dentes mal escovados, hálito de bebida ou cigarro etc.), mudança física após um tempo de convivência (obesidade, por exemplo) e outras.
Distúrbios Diáticos (reações pessoais a fatores extrínsecos): observado em casais com problemas de rela­cionamento, são conflitos constantes. Tais conflitos podem emergir no período de excitação. A mulher é propensa a guardar ofensas, pequenas intrigas e mágoas, o que faz com que exista uma grande possibilidade de tais emoções e lembranças ser despertadas no período de excitação.
Lembranças de fatores negativos do Passado: Algumas mulheres vitimadas sexualmente são bloqueadas pela lembrança da vivência destrutiva.
(Tratei de uma paciente vítima de seqüestro e abuso sexual por dois delinqüentes. Essa mulher relatava que ela não conseguia desassociar carícias da sensação de sujeira e de fedor, o que a desabilitava para o ato sexual.)
Secundária Anorgasmia: Mulheres que têm valorização aumentada do orgasmo e quando ocorre uma série de frustrações em atingir o ápice são levadas a uma inibição retrógrada à excitação e posteriormente ao desejo.
Outros: medo de engravidar, medo de doenças transmissíveis, inadequação do local, distração (preocupação ou simples lembranças de fatores do cotidiano), dívidas etc.. Kaplan dá uma visão da origem dos problemas psicogênicos de uma forma bem ampla (fracasso ao empe­nhar-se em comportamento sexual eficiente, incapacidade de entregar-se, auto-observação obsessiva durante o ato sexual, defesas intelectuais contra as sensações eróticas e falhas na comunicação).


Diante do que foi exposto, fica clara a importância de uma investigação completa da história da mulher que sofre de distúrbio de excitação. Ver onde ocorreu uma interferência negativa, e a partir daí condicioná-la através de exercícios cognitivos a ter uma nova concepção de valores em relação à fase excitatória, lembrando que é nessa fase que ocorrem os carinhos, os estímulos sensoriais, o relaxamento e o namoro. Portanto, se a mulher desejar realmente restabelecer seu fisiologismo natural, ela deverá dissensibilizar-se dos fatores negativos.


Na busca de resolução da maioria dos distúrbios de qualquer fase da cascata de emoções e sensações que envolvem a sexualidade, é necessário passar por um processo de revalorização e mudança de conceitos sobre a sexua­lidade, pois a grande maioria dos casos de disfunções é conseqüência de distúrbios emocionais: a mulher, como o ser mais emotivo da relação, acaba pagando um preço muito alto e ao mesmo tempo criando mais revolta contra o parceiro, e este, por sua vez, apesar de discussões, conflitos ou diferenças, normalmente não perde o desejo para a realização do ato sexual.

 Autor(a): Pr. Josué Gonçalves

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